Artigo
A
marginalização da linguagem oral
Solange Gomes
Uma
das competências menos desenvolvidas em
sala de aula é, sem dúvida, o
ensino/aprendizagem da linguagem oral. Ainda
que os Parâmetros Curriculares Nacionais
(PCN's) chamem a atenção par a
importância deste trabalho, é certo
que muitas escolas não o incluem, ainda,
em suas programações. No melhor
dos casos, quando o professor se interessa pelo
desenvolvimento de habilidades de compreensão
e expressão oral, as atividades de aprendizagem
são escassas e pouco variadas, resume-se
a debates mais ou menos espontâneos, e
a exposições orais, ocupando espaços
marginais e desligadas de um trabalho lingüistico
mais elaborado. Na maioria das vezes, a oralidade
é considerada, por professores e alunos,
um mero exercício de relaxamento que
alivia o cansaço e o "aborrecimento"
que outras atividades "mais sérias"
provocam; é uma forma de "matar
aula", ainda que favoreça a relação
dos alunos entre si e dos alunos com o professor.
Isso leva a concluir que esta atividade não
está servindo para alcançar os
objetivos propostos pelos PCN's.
Vários fatores contribuíram para
essa situação. Em primeiro lugar,
o fato de que os programas, que deviam desenvolver
a competência oral (e escrita) dos alunos,
incluem apenas conteúdos conceituais.
O desajuste entre os objetivos previstos e a
lista de conteúdos resultou no predomínio
absoluto dos últimos no exercício
docente. Os professores de língua deixaram
de trabalhar eficientemente a arte de ler, escrever,
falar e escutar. Os programas ou currículos
determinava que os alunos deveriam "saber"
outras coisas. Disso se derivou a marginalidade
e a opção por outras atividades,
na maioria das vezes, sancionadas e em desacordo
com a relação educativa em relação
à forma como os alunos usam a
língua. O segundo motivo é o tradicional
prestígio da escrita frente à
oralidade e, o terceiro, a crença de
que todo falante já sabe falar sua língua
materna sem que haja necessidade de um processo
educativo que o ajude a fazê-lo.
No entanto, o pressuposto de que o fato de os
alunos saberem falar a própria língua,
eximiria a escola de ensiná-los torna-se
paradoxal na medida em que os acadêmicos,
os professores e o público em geral estão
constantemente declarando: "os jovens não
sabem se comunicar"; "os alunos não
sabem se expressar, não têm vocabulário";
"cada vez se fala pior neste país"...
É necessário, portanto, que a
escola reconheça essa falha em seus programas
de ensino que assuma seu papel de desenvolver
a competência dos alunos no que diz respeito
à compreensão de discursos orais
e à capacidade de expressar-se oralmente
com coerência e coesão, de acordo
com as diferentes finalidades e situações
comunicativas, adotando um estilo expressivo
próprio.